Compadre Ricardinho,
Já que a prosa chegou mesmo aos anos 70, foi nessa década que saí de São Paulo e me mudei para a Fazenda Monte Alegre, no município de Botucatu (SP), fazenda essa vizinha ao Guarantã, bairro rural onde nasceram Tonico e Tinoco. Comprei minha primeira viola (uma Del Vecchio) e garrei a tentar aprender a tocar. E estou tentando até hoje. Um dia eu aprendo!
Daí em diante, para assumir caipirice total, foi um passo: criei gado, plantei milho, aprendi a esticar arame de cerca, fazer porteira, pilotar trator; apreciar boa pinga , fazer churrasco de chão, fabricar um forno de lenha, construir caixa d'água de alvenaria; usar chapéu e botina. Tive mesmo uma picape C-10! E um rádio multiondas que tocava modas caipiras.
Pesquei no rio Pardo e nadei no Tietê (que, no Interior, não é poluído).
Plantei árvore.
Assisti a cururu em Pratânia, tive um cachorro valente. Vi geada de congelar o mundo e pretejar até Minas.
Fiquei encalhado na lama até amanhecer;
tive namorada caipira;
a bala já veio por cima e eu me agachei; e quando ela veio por baixo, saltei por cima. E quando veio de lado, saltei de banda. Dei um boi para não entrar numa briga e uma boiada para fugir dela. Rssssss!
Foi um curso intensivo de caipirice.
Êta anos 70!
Abraços,
Luiz Viola