UM CAUSO DE MINEIRO
CUIDADO COM O URSO
O mineirinho foi para a cidade à procura de emprego. Conseguiu colocação como funcionário do zoológico.
Sua primeira atribuição foi ser tratador do urso-panda.
Consciencioso como bom mineiro, pintou por sua própria conta os seguintes dizeres em uma placa, que afixou à jaula:
“Cuidado com o urso”.
Um visitante, admirado perguntou ao tratador:
—Moço, esse urso é mesmo feroz?
—Nhor, não, é bem manso. Não põe medo, não, explicou o mineirinho.
—Então porque a advertência de “cuidado com o urso”?
E o mineirinho, lógico e básico:
—É porque está em extinção.
adaptação livre de Luiz Viola.
Escrito por Luiz Viola às 08h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Justiça proíbe execução de disco com plágio de Nhô Belarmino
A Justiça Estadual do Paraná suspendeu a execução, distribuição e comercialização do CD “Libera o Toim” – volume 4, gravação em estúdio e ao vivo, com uma versão forró para a música “As Mocinhas da Cidade”, da dupla paranaense Nhô Belarmino e Nhá Gabriela. O plágio, identificado pelo uso dos mesmos compassos musicais e letra idêntica, é do grupo baiano de forró Arriba Saia, rebatizada com o nome Enche Bailão.
A decisão da juíza Mayra Rocco Stainsack, da 20.ª Vara Cível de Curitiba, prevê multa diária de R$ 500,00 por desobediência para o cantor Ronivaldo Souza Cerqueira, o Rony Brasil, a gravadora CD Center do Brasil e a Music distribuidora. O grupo baiano teria vendido cerca de 1,5 milhão de cópias, somente do CD ao vivo, segundo o site arribasaia.com.br.
Ivan Graciano, filho da dupla e inventariante da herança, disse que os fãs de Nhô Belarmino e Nhá Gabriela estavam indignados com a utilização inapropriada da música. “A decisão da juíza é uma grande vitória para a música do Paraná. Foi mais um desrespeito com a canção. Se ao menos tivessem citado o nome do Nhô Belarmino, autor da música, já estaria bom”, comentou Graciano.
Por telefone, um assessor do grupo Arriba Saia, que se identificou como Edvaldo, negou o plágio, afirmando que os CDs com a música não são produzidos e nem vendidos há cerca de três anos. “Estamos com ações judiciais contra as gravadoras CD Center do Brasil e Canta Brasil. Além disso, o Rony Brasil já morreu”, disse. Ele negou que a banda tenha vendido 1,5 milhão de cópias do CD ao vivo. “Foram no máximo de 10 a 30 mil”, afirmou.
As empresas citadas no processo devem receber a notificação para então a decisão judicial ser cumprida.
transcrito de GAZETA DO POVO - edição de hoje.
Escrito por Luiz Viola às 15h57
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|
Aparício, a seu dispor
Vou dizer assim pro sinhor que “contador” de causo eu não sou não...
Não tenho jeito pra isso. Sou muito calado, meio fechadão.
Eu gosto é de escrever uns causos, no fim dos causo eu leio e gosto do que saiu escrito.
Mas demora pra sair certo do jeito que eu gosto.
Daí eu vou escrevendo e daí falta um pedaço e eu volto lá atrás remendar o causo, aumentar um tanto, fazer ficar mais engraçado ou explicado mais certo do jeito que o causo fica melhor. Ás vezes me vem uma idéia pra eu ponhar no meio do causo mas não sei que jeito, daí eu puxo aqui, reparto ali, costuro do jeito que eu acho que dá até caber.
Melhor ainda é despois de um tempo que eu nem lembro mais o causo direito e vou ler de novo daí eu gosto de uma coisa e deixo daquele jeito, outras coisa eu mudo que não ficou bem explicado.
O que eu queria mesmo é escrever um livro ponhando um monte de causo. Não sei se tudo misturado numa história só ou de pedacinho em pedaço, repartido de causo a causo. Certo que ainda tô só na vontade.
Aparício é uma Criação, um mistura de gente que conheci na vida, e ainda de vez em quando deparo com alguém que nunca vi e já digo: “Olha o Aparicio aí de novo!”
Aparício é meu avô João Firmino,pai do meu pai, meu Tio Lindorfo, o outro vô que eu tinha, Atílio Abrami, pai da minha mãe, um italiano sangue quente, Seu Manelim do Urucuia, Seu João Parente lá do Cariré, Doró... Um monte de gente... que fecha tudo num Aparício só!
Ele tem características próprias sim, só dele, afinal só vejo o Aparício nas pessoas que realmente se parecem com o Aparício.
Aparício tem seu mundo certo, que é o Brejo do Ó!
Mundo imaginário, que conheço cada árvore, cada caminho, cada pessoa, vizinho ou passante, conheço os cheiros, os barulhos os ventos do lugar, tudo bem certo... Aparício vive no sitio dele com a esposa, Dona Felipa, parteira, benzedeira, bate pilão, faz passoca, pimenta de garrafa, fumo de corda, queijo, mata galinha.
De vez em quando aparecem na venda do João Firmino pra fazer uma roda de música. Daí fica o Aparício na viola, Seu João Firmino na sanfona 8 baixos e a Filipa faz a marcada do Pandeiro, meio bate pandeiro, meio dorme... mas não erra na marcada!
Na vida do dia a dia, nas visitas que vem no sítio comprar as coisinhas da Filipa, ou receber um benzimento, nos freguês da venda, na estrada ou nas ruas da vila, um causo ou outro sempre aparece.
Na Comunidade Casa Dos Violeiros do Orkut já achei o Aparício no Luciano Queiroz, Cleber Vianna, Baw Comar, P.H., Carlos Carvalho(!), Joca Cioffi (pescador), Peceguini de Curitiba, Seu Ribeiro, Agnaldo, etc!
Mas assim bem certo o dono dos dedos que teclam os causos é do João Brazilio Ramos Neto, 46 anos, paulista de BURI, mas que mora em Marechal Candido Rondon-PR, a 28km do Rio Paraná, casado, pai de uma menina, violeiro medíocre porém esforçado, dentista, motociclista, ciclista razoável.
Quem olhar pra minha cara não vai achar que eu seja parecido com um “Aparício”, acho que sou muito urbano, mas depois de sentar e emendar uma prosa acho que a pessoa vai encontrando o Aparício em mim.
Tem uma letra de uma musiquinha que eu fiz que foi musicada pelo violeiro PauloFreire, tá no Youtube, Bilhetinho Unitário, falando sobre o Metrô de São Paulo!
Costumo dizer que o Aparício é a melhor parte de mim, mas a outra parte também não é ruim não.
João Brasílio Caipira Urbano é contador de causos e escritor.
Escrito por Luiz Viola às 08h43
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|