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IMAGINÁRIO ROSEANO

Participações especiais dos violeiros Paulo Freire, Rolando Boldrin e Téo Azevedo.
Com
João Araújo
Geraldo Vianna
Rodrigo Delage
Escrito por Luiz Viola às 09h02
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João Araújo, Geraldo Vianna e Rodrigo Delage.
Não há nenhuma criação genial, por mais elaborada e complexa que possa parecer que não traga em sua essência a simplicidade da vida e o dilema da angustia existencial que permeia a humanidade.
Na elaboração de arranjos e produção, ao iniciarmos um projeto musical com muitas nuances e formas de abordagem, nos defrontamos, às vezes, com elementos que fogem aos limites de nossa compreensão acional. Se sucumbimos, podemos ser lançados à insegurança ou à busca exacerbada da perfeição, ou até mesmo ser submetidos ao domínio do ego periférico, atendo-nos a questões subliminares que nos cegam e limitam nossa evolução estético-musical e perceptivo. Nesses momentos, resta-nos apenas nossa imaginação, fruto de experiências do meio em que vivemos e do inconsciente coletivo, que nos leva a qualquer lugar, onde não há limites nem compromisso com conceitos e preconceitos. Onde tudo pode. Agora, somos tomados pelo risco da negligência.
Dentro desse universo de considerações, apreendido ao longo dos anos, iniciei os trabalhos em torno do que viria a ser chamado "Imaginário Roseano". Minha primeira atitude foi a de buscar na explicação intelectual argumentos que funcionassem como base de sustentação para a linguagem musical utilizada. Tarefa abandonada logo no início, pois constatei que relacionar música com literatura é muito difícil. Ambas têm linguagens próprias e, ao mesmo tempo, se utilizam de um material subjetivo, difícil de se observar à luz da intelectualidade. Estão muito próximas dos limites da luz e das trevas, onde os extremos se encontram.
A música, independentemente de gênero e estilo, está ligada ao mundo místico, mas o fenômeno sonoro pode ser bem ou mal ordenado, dependendo do conhecimento técnico e dos objetivos de quem coordena os sons. Não existe em arte e, principalmente, em música, a liberdade verdadeira. Esta só é encontrada na neutralidade, não se adequando a qualquer manifestação que possua características estruturais.
Decidi, então, evitar qualquer tipo de especulação de foro íntimo, no que tange ao repertório escolhido, diante da relatividade do universo chamado "sertão', e deixar-me guiar pela imaginação.
Baseado em todos esses preceitos decidi que a utilização dos elementos oriundos da herança africana e ibérica na percussão, associados à linguagem, hoje autônoma, da música brasileira, do romantismo inerente à canção seriam meus pilares na criação de uma proposta que não agredisse os temas abordados, maioria verdadeiros retratos da simplicidade da vida e dos anseios humanos. Estava traçado o caminho, a travessia.
Pelo forte apelo sertanejo aos temas abordados, fui remetido a experiências que me levaram à transcendência na criação e direção musical. Inebriado pelo universo que se abriu à minha frente, diante das várias possibilidades de se alcançar um resultado sonoro que traduzisse minha personalidade de produtor, ao buscar a exatidão e perfeccionismo nas técnicas de gravação e posicionamento estético, fui advertido por João:Guimarães Rosa através de Riobaldo: "Pelejar por exato dá erro contra a gente". Voltando à luz da sensibilidade conclui que o melhor seria colocar em prática um conceito que sempre regeu minha vida musical: valorizar as características próprias de um estilo musical, estilo e proposta estética das pessoas envolvidas e jamais pensar somente no que a música é, mas aceitar e buscar o que ela poder ser. Isso tornou- se minha verdade... Assim seja.
Geraldo Vianna
Escrito por Luiz Viola às 08h38
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IMAGINÁRIO ROSEANO

João Araújo, Geraldo Vianna e Rodrigo Delage.
Nossa intenção é o festejo!
Não seria possível tocar a intangível obra de João Guimarães Rosa. Resta-nos receber aquilo que foi legado, fazendo musicalmente nossos humildes apontamentos. Tive a alegria de vivenciar o sertão norte mineiro desde a minha infância, onde senti a geografia, o relevo, a cultura popular e a viola encantada de sua gente. Segui o caminho natural do sertão navegando seus rios, bebendo de suas águas, quando ainda se podia fazê-lo. Ler a obra de João Rosa é, para mim, reviver tudo isso no íntimo das palavras, em suas múltiplas intenções. É saber daquilo que não pude ver e me assombrar com reflexões e conclusões que transcendem o sertão e o homem.
A realização deste projeto me possibilitou expressar o que sempre faço, às vezes implicitamente, em minha música: reverenciar João Guimarães Rosa, violeiro de palavras. Poder fazê-lo com as belas interpretações do amigo João Araújo e os lindos violões e arranjos do maestro Geraldo Vianna é imensamente gratificante. É, nos dizeres do sertanejo, "beber café coado com água de chuva". Isso para não falar das especialíssimas participações de Paulo Freire, Rolando Boldrin e Téo Azevedo, além da poesia das palavras do parceiro Jorge Fernando dos Santos.
Não há fundamentação técnica para justificar o repertório. A difícil escolha das músicas deu-se dentro do subjetivismo. Seria possível sentir algo da obra roseana nestas canções? Era essa a pergunta que nos fazíamos, cuja resposta caberá a cada um que as escutar.
Rodrigo Delage
Escrito por Luiz Viola às 08h21
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IMAGINÁRIO ROSEANO

João Araújo, Geraldo Vianna e Rodrigo Delage.
A temática do repertório do Imaginário Roseano sempre foi subjetiva, não-definida, sensorial; idéia que vim concebendo há mais de 25 anos - posto que comecei a aprender a tocar mais ou menos quando comecei a tomar gosto pela obra do conterrâneo famoso de meu avô - compartilhei e comecei a formatar a idéia com Geraldo Vianna, grande maestro também apaixonado pelas letras. Geraldo, por sinal, foi quem sugeriu esse ótimo título para o trabalho. Por último, não menos apaixonado e engajado que nós, veio a dedicação e total afinidade com o tema por parte de um amigo que sempre traduz em sua viola o sertão de João Guimarães Rosa: Rodrigo Delage. Estava feito o time dos sons, mas onde encontrar os que atestariam que essa nossa sensibilidade tinha mesmo a ver com a literatura roseana? Não se fez de rogado o José Osvaldo dos Santos pra nós, simplesmente o amigo "Brasinha" - que prá minha surpresa (ou ignorância, melhor dizendo) - já vinha fazendo, mineiramente, trabalho similar em suas Caminhadas Literárias, há quase 10 anos! Pra mim, Brasinha é o maior conhecedor da obra posto que a vive no dia-a-dia de Cordisburgo, sendo consulta obrigatória a todos que de maneira séria querem saber alguma coisa da obra do grande escritor.
O maior receio que tínhamos - nós, músicos que nos atrevemos a citar uma obra literária tão sublime - era o de sermos mal interpretados nas nossas sensações, dado que não gostaríamos de ser tidos como levianos ao tratar de um assunto que tem mundialmente milhares de entendedores catedráticos, fidedignos estudiosos, fanáticos apaixonados. Como dizem muitos, "falar algo sobre Guimarães Rosa é muito perigoso, principalmente porque ele não está mais aqui pró se defender!" E eu completo: o pior é que hoje em dia há muitos também que se consideram mais capazes de fazê-lo do que o próprio autor seria, se ainda vivo estivesse! Porém, nas palavras de Paulo Rónai (amigo pessoal do escritor e um dos mais respeitados comentadores da obra roseana) em seu prefácio sobre os prefácios de Tutaméia: Só poderia dizê-lo quem não mais o pode dizer... mas será que o diria?
Guimarães Rosa era pragmaticodoxal, se me permitem atrevida paráfrase em homenagem. E viver, cantar, escrever... tudo ainda continua sendo muito perigoso! Por isso, des-disafirmando e ao mesmo tempo apontando-pra-donde-não-é-mira (muito antes, pelo contrário), apresentamos em cada faixa, citações livres, como sugestões para leitura, tiradas a partir da generosidade do Brasinha e da percepcão de cada um de nós sobre a obra.
Certamente, quanto à interpretação da intenção das letras "há e não há" muitas outras menções, inclusive as versões dos próprios autores. Mas o principal objetivo é mesmo levar o ouvinte destas e de outras tantas maravilhosas canções a procurar suas próprias conclusões nos livros. Isso, eu espero, deve ser levado em conta para minha absolvição, pois o incentivo à leitura é um fim que justifica quaisquer meios, e até o próprio João Guimarães Rosa concordaria... ou não?
João Araújo
Escrito por Luiz Viola às 15h40
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O Mais Novo Passageiro No Trem:
Prezado Apreciador:
É com satisfação que convido-o mais uma vez a visitar o www.boamusicaricardinho.com (que o "Cumpadre" Luiz Viola de Bauru-SP chama carinhosamente de Trem do Ricardinho) e conhecer o mais novo passageiro que acabou de embarcar nesse trem:

Trata-se de Alberto Calçada: esse excelente Acordeonista e Compositor também foi fundador da inesquecível Gravadora Chantecler, na qual participou da maioria das gravações como Técnico e onde também foi Produtor de Discos.
Conheça um pouquinho da Trajetória Artística desse excelente Músico, cujo nome é de fundamental importância não apenas na Música Caipira Raiz, mas também na Seresta, já que, com seu Conjunto, ele foi um dos melhores intérpretes das belíssimas Valsas de Zequinha de Abreu!
Com um grande abraço do Ricardinho!
Escrito por Ricardinho às 14h47
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IMAGINÁRIO ROSEANO
"...a gente morre é para provar que viveu."
João Guimarães Rosa.
Escrito por Luiz Viola às 07h59
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