Para finalizar a apresentação no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG), os violeiros todos se reuniram para homenagear Luiz Viola com a música SAUDADE DA MINHA TERRA, de Goiá e Belmonte! Rarrará!
Cantaram todos juntos!
Mesmo que Goiá tenha sido um mineirim com muita saudade de sua Coromandel, Belmonte não ficou atrás e cantou sua cidade natal, Barra Bonita.
Acontece que Barra Bonita fica em São Paulo, às margens do histórico rio Tietê e faz parte do Complexo Turístico da Cuesta, cujo centro é Bauru. E tem mais: Barra Bonita é assim, pertim de São Manuel até que dá para ser vista lá do Rancho O Violeiro, de Luiz Viola!
Todos os violeiros juntos ficaram vizinhos do Rancho O Violeiro, de repente!
Aplausos a todos os violeiro e em especial ao compadre João Araújo pelo seu trabalho de divulgação de nossa cultura-raiz bem brasileira.
Já dissemos aqui que o violão Infinito de João Araújo – foi esse violão eu ele utilizou na apresentação VIOLA URBANA no Palácio das Artes – foi feito à mão pelo luthier Luciano Queiroz. A seguir, aproveitamos para divulgar um vídeo onde Luciano mostra sua técnica na fabricação artesanal de seus instrumentos.
HEITOR VILLA-LOBOS, maestro e compositor erudito brasileiro (carioca), ficou célebre por unir música com sons naturais. “Minha música é natural como uma cachoeira”, era seu pensamento radical.
Na década de 1930, compôs as Bachianas Brasileiras, série de obras fundamentadas em pesquisas que fez sobre nossa cultura-raiz, viajando pelo Brasil. Foi o mais prolífico compositor do Século XX, no mundo todo.
Pois que João Araújo escolheu foi uma tocata com fundamento em Johann Sebastian Bach, de autoria de Villa-Lobos, denominada O Trenzinho do Caipira para ilustrar seu novo álbum em DVD VIOLA URBANA! Essa tocata faz parte do quarto movimento das Bachianas número 2.
Mas tocar viola sozinho não tem graça: Então ele convidou ninguém menos que ROBERTO CORREA para pontear esse trabalho – e ele (o João) se encarregou do violão.
Aí ficou tão bão dimais da conta que ele se aventurou em CAICÓ CANTIGA, também do mestre Villa-Lobos só para dar farinha e acabar de vez com esse negócio que viola é coisa de gente ignorante! E na companhia de ROGÉRIO GULIN!
Foi uma cachoeira natural de dar gosto de se banhar nela!
Amauri Falabela, Chico Lobo. Fernando Sodré, Renato Caetano, Roberto Correa, Rodrigo Delage, Rogério Gulin, Sérgio Andrade. Esses são os nomes de alguns dos grandes violeiros que participam dessa apresentação.
“Participar dessa festa que foi esse encontro de João Araújo e Viola Urbana com tantos representantes da viola caipira, desse momento que a viola vive no Brasil foi muito especial” – depoimento de Chico Lobo, no show Viola Urbana. E continua:
“Vamos manter firme as raízes da tradição e vamos abrir essa porta para universalidade que a viola como instrumento permite aos violeiros.”
Luciano Queiroz e João Araújo ponteiam Menino da Porteira quando testavam dois instrumentos confeccionados pelo próprio Luciano: a viola e o violão Infinito de João Araújo.
Presentes: Luciano Queiroz, João Araújo, Ricardinho Boa Música e Luiz Viola.
local: Rancho O Violeiro, em São Manuel (SP), de Luiz Viola.
Comentário de Luiz Viola: Não façam isto em casa: reparem que violeiro que é violeiro bão toca a viola de ponta-cabeça como Luciano está fazendo - e ponteia com a mão esquerda! Isto, definitivamente não é para qualquer um!
Outro aviso: não se esqueçcam que hoje tem VIOLANDO, com João Araújo.
Em prosa direta com o compadre João Araújo, este me afirmou que não é violeiro desses tocadores de viola, pois seu instrumento não é viola caipira, mas o violão. No entanto, a apresentação VIOLA URBANA no Palácio das Artes (MG) se inicia com o mesmo João Araújo ponteando uma viola caipira, autêntica, fabricada à mão pelo renomado luthier Luciano Queiroz, para a ocasião. É o que digo: agarrou na danada, não solta mais.
Mas a justiça seja feita para com ele: logo saca de seu violão, o Infinito, denominação justa dada ao formato da boca em seu bojo. Bem original, tem um “oito” deitado, que é o símbolo “infinito”. Esse violão, também confeccionado pela mão do mestre Luciano Queiroz, de Assis (SP) (paulista também entende muito de viola!), foi também especialmente preparado para a mostra.
Comentei que João abriu com uma viola. A peça se intitula Violeiro, e é uma composição de Elomar. Para quem levar atenção à letra, vê que temos uma canção de cantador nordestino, herança da cultura vinda de Portugal, raízes ibéricas das canções da Idade Média de amigo, no caso uma narrativa enviolada. Conta a história da vida de um violeiro (violista, cantador), enfatizando três coisas mais importantes (para este): viola, alforria, amor; dinheiro, não.
O interessante, desaparelhado dessa canção do indigitado companheiro de viola Elomar, Luiz Viola que aqui se apresenta e lhes escreve, compôs em parceria com o compadre em comum João Araújo, a composição O Violeiro, já editada e lançada em CD, que também mostra a vida de um cantador que percorre os recantos do Brasil com sua viola, montado em um cavalo.
O tema viola-violeiro é inesgotável.
A seguir, aprecie a íntegra de Violeiro, de Elomar, que abre a apresentação Viola Urbana, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (MG), que agora está reunida em DVD.
Luiz Viola
Bauru e São Manuel (SP)
Violeiro
Elomar Figueira Melo
Composição: Elomar
Vou cantá no canto di primero as coisa lá da minha mudernage qui mi fizero errante e violêro Eu falo sério e num é vadiage E pra você qui agora está mi ovino Juro inté pelo Santo Minino Vige Maria qui ôve o queu digo Si fo mintira mi manda um castigo
Apois pro cantadô i violero Só há treis coisa nesse mundo vão Amô, furria, viola, nunca dinhero Viola, furria, amo, dinhero não
Cantado di trovas i martelo Di gabinete, lijêra i moirão Ai cantado já curri o mundo intero Já inté cantei nas portas di um castelo Dum rei qui si chamava di Juão Pode acriditá meu companhero Dispois di tê cantado o dia intero O rei mi disse fica, eu disse não
Si eu tivé di vivê obrigado um dia i antes dêsse dia eu morro Deus feiz os homi e os bicho tudo fôrro já vi iscrito no livro sagrado qui a vida nessa terra é uma passage Cada um leva um fardo pesado é um insinamento qui desde a mudernage eu trago bem dentro do coração guardado
Tive muita dô di num tê nada pensano qui êsse mundo é tudo tê mais só dispois di pená pela istrada beleza na pobreza é qui vim vê vim vê na procissão do Louvado-seja I o assombro das casa abandonada côro di cego na porta das igreja I o êrmo da solidão das istrada
Pispiano tudo do cumêço eu vô mostrá como faiz um pachola qui inforca o pescoço da viola E revira toda moda pelo avêsso i sem arrepará si é noite ou dia vai longe cantá o bem da furria sem um tostão na cuia u cantado canta inté morrê o bem do amo.